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Fé X Razão: Aborto Legal

Segundo o Dicionário Aurélio, Fé é “Crença religiosa em valores espirituais.” e Razão é “Faculdade de raciocinar, de compreender, de estabelecer relações lógicas; raciocínio”. Diante disso, partimos do princípio que toda pessoa tem direito de ter sua fé bem como a sua razão, mesmo que algumas vezes ou em determinadas situações, a fé não caminhe com a razão e vice-versa.

Um assunto muito polêmico é a questão do aborto. De acordo com a nossa legislação atual, é permitido o aborto em dois casos: estupro e risco de morte da mãe. Neste post vou tratar unicamente da Legislação, como é e como realmente acontece.

Nos casos de estupro, a legislação prevê uma série de procedimentos que muitas vezes as vítimas acabam não seguindo, e perdem o tal “direito” de abortar. Se a mulher tem dinheiro, as coisas ficam mais fáceis, mas se não tem, e dependem do nosso querido SUS (Sistema Único de Saúde) a situação complica. São tantos prazos e procedimentos que a vítima do estupro acaba procurando um meio clandestino para conseguir abortar logo.

Acredito que a maioria das pessoas quando houve a palavra ABORTO diz ser contra. Ok, todos temos este direito. Apesar do Brasil ser um país Laico, a maioria das religiões são contra o aborto. A minha religião, inclusive, também é contra o aborto. Porém, existem alguns casos em que a razão fala mais alto. Eu não consigo admitir, por exemplo, que uma vítima de estupro tenha que ter aquele ser que foi formado num ato de violência. Não entendendo porque penso em como esta mulher vai sofrer psicologicamente. Além de ter que aguardar 9 meses pela formação, após o nascimento, esta criança vai tomar forma e com certeza ela terá traços do estuprador. É sofrimento pelo ato do abuso sexual, sofrimento em olhar sua barriga crescer e saber que você não terá apoio paterno para isso e sofrimento em lembrar a todo instante do que aconteceu.

É fácil dizer que é contra o aborto por conta das questões religiosas quando essa situação não está no seu meio familiar. Mas imaginem se fossem suas esposas, mães, filhas, sobrinhas, primas, etc. chegando em casa desesperadas porque foram violentadas e depois de algum tempo descobrir que estão grávidas. Eu não consigo imaginar o tamanho da tristeza, sinceramente.

Está na hora da sociedade abrir os olhos e ver através do seu próprio umbigo. Nós temos um problema social que mata muitas mulheres que se arriscam procurando clínicas de aborto clandestinas. Elas chegam a morrer por falta de apoio. Tem uma matéria do Dr. Drauzio Varella que retrata bem tudo isso. Vale à pena ler!

Antes de qualquer direito da mulher eu desejo este sim, a DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO. Independente de religião, as vítimas de estupro devem ser respeitadas! PENSE NISSO, ou ao menos nessas situações!

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2 Comentários

“São cinco torcedores, uma torcedora e mais quatro.”

 Primeiramente, vale ressaltar que eu não sou Gremista.

De acordo com a notícia do Portal do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (http://www.stjd.org.br), o Grêmio foi excluído da Copa do Brasil por conta das injúrias raciais proferidas pela torcida contra o goleiro do Santos, Aranha. Eu não fui atrás da legislação e nem das regras da Copa do Brasil para verificar se a punição está de acordo ou não, mas acredito que esteja, afinal, este deveria ser um órgão sério. Xs torcedorxs eram do Grêmio, fato. Por isso eles devem pagar sim. Porém, acho que não é motivo para tirá-lo da Copa do Brasil. Até porque, julgar a atitude de cinco pessoas para prejudicar o time inteiro é complicado. O clube não tem como ter controle do que quem vai assistir ao jogo pode falar. Até porque, ESTE ATO foi registrado, mas quantos outros já devem ter ocorrido na mesma ou até em maior proporção? Sou contra o racismo sim. As pessoas estavam erradas sim e tomara que elas sejam punidas mesmo!

Por outro lado, mais uma vez a imagem da mulher é a que mais pega. O próprio advogado Gabriel Vieira do Grêmio citou durante o julgamento: “São cinco torcedores, uma torcedora e mais quatro.”. Já teria bastado se ele tivesse dito “cinco torcedores”, mas enfim. Agora ela que tá pagando todo o pato e não se ouve falar dos outros quatro torcedores (quatro? Ontem ouvi numa reportagem que ela foi a 6ª a depor). Ok, ela tá errada. Quantos já estiveram? Mas porque tanta repercussão? AHHHHHHHH, porque ela é MULHER e estava num ESTÁDIO DE FUTEBOL e se juntou ao grupo de racistas para falar mal do goleiro. Errou, ok!

Já ouvi notícias horríveis sobre tudo o que tá rolando depois dessas imagens que jogaram no facebook para julgá-la. Estão apedrejando a casa dela, ela perdeu o emprego, estão fazendo ameaças tornando a vida dessa mulher um inferno! Engraçado que o racismo acontece debaixo do nosso nariz às vezes em tom de “brincadeira” (muito sem graça, por sinal) e a gente dá risada e não acha que quem falou é “tão ruim” quanto ela foi. Repito, não estou defendendo, só acho que ela já está pagando pelo erro que cometeu. Quem somos nós pra julgar? Todos erramos! O importante é identificar esses erros e não voltar a repeti-los. O peso da nossa consciência, só a gente conhece.

É hipocrisia demais julgar de um lado e fechar os olhos de outro. Espero sinceramente que um dia nossa sociedade evolua a ponto de não precisar excluir um time de futebol de uma competição por conta de um ato preconceituoso, porque eu acredito que a cultura se muda dia-a-dia e desejo muito ver um mundo sem preconceitos, sejam eles quais forem.

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