Corpo e Mente

Eu era magra. Tinha o corpo “ideal” (utilizando a visão da sociedade de um modo geral). Meu peso estava de acordo com a minha altura. Isso há quatro anos. Em 2013/2014 eu tive um problema ginecológico. Foi constatado que eu tinha/tenho síndrome dos ovários policísticos. Nesse período meu peso aumentou consideravelmente… Eu tive que fazer um tratamento durante um período (com medicamentos) e isso aguçou mais ainda a situação. Hoje eu não tenho aquele corpo de quatro anos atrás.

É fácil perceber que quando uma pessoa está algum tempo sem me ver já olha com aquela cara de “nossa, como você engordou”, ou fala na cara mesmo. Eu não quero ser um objeto da sociedade, tendo que ter restrições e fazendo coisas forçadas pra que todo mundo me olhe e diga “noooooooossa, que linda que ela está”. Porque no Brasil ser linda é sinônimo de ser magra e malhada. É sinônimo de “saúde”. Agora deixem eu contar um segredinho: ser magra não é sinônimo de saúde! Assim como ser gorda não é sinônimo de falta de saúde.

Conheço magras lindas que são neuróticas porque sempre estão se achando gordas. Aquelas que se aumentam cem gramas acham que o mundo vai acabar. Sinceramente, em que momento isso é ser saudável? Adianta ter um corpo saudável e uma mente doente? Também conheço mulheres gordas que são lindas, saudáveis, mas que se deixam abater por causa dessa sociedade medíocre que insiste em dizer para elas que elas não são bonitas, mesmo sendo mulheres extraordinárias! A mídia ajuda nisso, nessa forma de olhar gorda como mulher feia e NÃO É.

Basta fazer uma pesquisa rápida em algum site de buscas. Digite “pessoas que engordaram”. É óbvio que a mídia dá foco às pessoas famosas. Agora, imaginem elas lendo essa notícia. Se coloque no lugar delas. Se coloque no lugar das pessoas que estão com sobrepeso ou que engordaram e/ou que sempre foram gordos. Pessoas que não gostam de estar nessa posição. Porque sim, tem gente que gosta do corpo que tem, mesmo não estando dentro do padrão da sociedade.

Acredito que é a sociedade que cria esses conflitos. A gente acaba entrando nesse círculo vicioso. Não quero aqui julgar ninguém, só desejo que as pessoas sejam mais coerentes e se policiem mais com seus comentários maldosos. A gente não precisa apontar o dedo pro outro para ser feliz.

Se você é atleta e ama isso, que bom! É tão gostoso fazer o que nos dá prazer. Se você almeja chegar em algum determinado “peso ideal” porque isso vai te deixar bem, faça-o. Porém, não deixe que imponham isso a você. Nada que é feito sem amor traz resultados positivos. Não sofra!

Não importa se seu corpo é magro, ideal ou gordo. O que importa é como isso te afeta. Ainda sonho em acordar em uma sociedade em que as pessoas julguem menos e machuquem menos as outras pessoas. É um exercício diário. A gente recebe o que a gente dá. Que tal utilizar o “dom” da empatia quando for julgar algo ou alguém?

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